PRIVILÉGIOS PAULISTANOS
Flávio Tiné


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05/01/2009 14:42


MITOS DA PRÓSTATA


Autor de trabalhos científicos e de livros de popularização sobre tratamento de câncer de próstata, o professor Miguel Srougi publicou neste domingo na Folha de S. Paulo (página C7) um excelente trabalho sobre o assunto, mostrando a visão do médico a respeito. Faltou a visão do paciente.
Tendo feito a cirurgia de retirada de próstata em abril do ano passado, escrevi, na oportunidade, pequeno depoimento, que não teve a menor repercussão.
Ainda bem. Significa que pouca gente ficou sabendo de minha experiência.
Sempre que o assunto é próstata, comenta-se apenas, de modo jocoso, as consequências do exame de toque retal, que consiste na introdução do dedo do médico no ânus para verificar a consistência da glândula. Quando cancerosa, a glândula fica dura. Comparando com outros exames clínicos, como o PSA, o médico pode avaliar a necessidade ou não da cirurgia.
Não é verdade que o exame de toque crie dependência. Não chega a ser agradável, mas não dói nem causa frenesi. O resto é pura gozação.
A visão do paciente, no caso, consistiria em avaliar o sofrimento causado pela operação. Posso dizer que não há grande sofrimento, exceto o causado pelas sucessivas injeções para exames pré-operatórios e demais procedimentos que se seguem.
Ruim mesmo são as consequências. O indivíduo fica irremediavelmente impotente, podendo eventualmente recorrer a próteses ou a medicamentos tipo Viagra. Outra consequência, que o Dr. Srougi não abordou em seu artigo, é a incontinência urinária, que pode melhorar com o tempo. Na pior das hipóteses, o paciente pode adaptar-se a ela, tomando providências para que ela não ocorra, como ir ao banheiro com maior frequencia - de duas em duas horas, por exemplo. Se necessitar sair de casa, recomenda-se usar protetores.
A essa altura, o leitor perguntará porque estou trazendo isso à baila. É que me lembrei de Ulisses Guimarães, que autorizou a divulgação de boletim médico assustador sobre seu estado de saúde, e Mário Covas, quando repetia que depois dos 60 não temos mais o direito de esconder qualquer coisa.
Bem, mas isso depende de cada um. Não tenho porque esconder minha má sorte. Afinal, continuo blogando.
PS - Fui um dos primeiros pacientes do robô Da Vinci, adquirido pelo Hospital Sírio Libanês. Minha cirurgia foi realizada pela equipe do Dr. Pastel, médico norte-americano que veio ao Brasil para participar do I Curso de Cirurgia Laparoscópica. A indicação para a cirurgia foi do Dr. Anuar Mitre, do Hospital das Clínicas da FMUSP, com aval do Dr. Miguel Srougi, chefe da Clínica Urológica da Faculdade de Medicina da USP. Em suma, fui um privilegiado, justificando assim, mais uma vez, o nome do meu blog.



MAYSA, SEGUNDO MANOEL CARLOS



Pinta como boa a minisserie que a TV Globo apresenta a partir de hoje sobre Maysa. Trata-se de um trabalho de fôlego, preparado por Manoel Carlos, com direção do filho da cantora, Jayme Monjardim. Parece excelente a participação da sósia Larissa Maciel.


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02/01/2009 11:41


OTIMISMO REMOVE

OBSTÁCULOS



Espanto-me com a manchete do Diário de Pernambuco no primeiro dia do ano: Otimismo. Numa só palavra, o mais antigo jornal da América Latina define o clima predominante em todo o Estado, na opinião de seus respeitáveis editores.
De fato, pude comprovar pessoalmente esse clima, facilmente visível ao longo de toda a costa pernambucana, superlotada de pessoas alegres, embriagadas da brisa marinha ou de outros líquidos, além das águas do mar azul e sereno.
Em todos os lares e em todos os bares não se via outra coisa além da quase histeria coletiva sem torno de novos ares. Nas ruas também. Do Recife Antigo ao Sítio da Trindade, do Pátio do Terço ao Parque da Jaqueira não se notava outra coisa além do entusiasmo pelas perspectivas que se abrem com o novo ano.
Até a recatada igreja de S. Pedro dos Clérigos, onde meu pai, Dedé Tiné, viveu seus últimos dias de sacristão, abriu suas portas para um show de rara beleza, proporcionado por Alessandra Leão. Tradicional ambiente religioso, a igreja abriu suas portas para um show porque as músicas eram dedicadas aos santos. Alessandra levou alguns convidados, entre os quais Silvério Pessoa e Irah Caldeira, embora esta não inspire nenhuma religiosidade, com sua encantadora lascívia.
No Pátio do Terço, em frente à igreja, um pastoril encantava os freqüentadores.
Saindo um pouco do ambiente público, não encontrei em nenhuma casa, restaurante ou comércio, o melhor vestígio de tristeza, o que justificaria o clima proposto na manchete do jornal.
A prefeitura do Recife prosseguiu em sua tradição de promover a alegria, com shows e espetáculos em diversos bairros.
Foi nesse ponto que me ocorreu a pergunta: onde a crise que freqüenta o noticiário e enche a boca dos pessimistas de plantão? Certamente ela não é vista, nem notada, nem discutida em nenhuma praia do imenso litoral nordestino. Na noite de 31 de dezembro de 2008 o que se viu foi uma festa sem precedentes, com as tradicionais crenças e muita gente de branco, cada um com o ritual de sua preferência.
O clima proposto pela manchete teria alguma relação com o otimismo dos discursos presidenciais? Ninguém sabe. Se tiver, o presidente estará de parabéns.
No primeiro dia do ano tomei o ônibus Joana Bezerra e fui tomado pelo mesmo espanto com que li a manchete. O ônibus praticamente vazio, com meia dúzia de passageiros ocupando sua parte mais longa, e uma dezena de idosos e aleijados amontoados em sua parte anterior, antes da roleta. Chegou ao ponto em que o motorista, sem outra alternativa, mandou que os velhinhos e aleijados entrassem pela porta traseira.
Foi aí que comecei a duvidar de tanto otimismo.

E O PARQUE DONA LINDU?

Quanto ao Parque Dona Lindu, depois de conhecê-lo in loco mudei radicalmente de opinião. Não há razão para tantos ataques. Trata-se de um bonito ambiente em meio a uma infinidade de prédios que tomam conta de toda a orla da capital pernambucana, pertinho de Jaboatão dos Guararapes. Se não construíssem o parque, o local certamente seria ocupado por novos espigões.
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