PRIVILÉGIOS PAULISTANOS
Flávio Tiné


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01/07/2009 21:41


O ADEUS AO DR. PINOTTI


A cerimônia de despedida do professor doutor José Aristodemo Pinotti, no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, caracterizou-se pelo silêncio e pelo respeito. Muitas autoridades compareceram para cumprimentar os parentes. Muitos professores de medicina, médicos e amigos foram dar o último adeus ao mestre de ginecologia que foi reitor da Unicamp, professor titular da FMUSP, secretário de Estado da Saúde e da Educação. Nos últimos meses vinha emprestando seus conhecimentos à prefeitura, desenvolvendo um trabalho numa secretaria montada especialmente para ele.
Pinotti foi o mais dedicado divulgador das idéias em torno da saúde da mulher e o mais entusiasmado lutador contra o câncer de mama. Morreu de câncer de pulmão, sem concretizar o sonho de criar o Instituto da Mulher, cujas instalações foram divididas entre o Instituto de Oncologia e outras especialidades.
Autor de vários compêndios de Ginecologia, o professor Pinotti hipnotizou as mulheres, com sua insistência em realizar exames de prevenção de câncer de mama. Foi deputado federal com expressiva votação.
Seu livro Saúde da Mulher, da Editora Contexto, é uma síntese de suas preocupações com as mulheres de todas as classes sociais. Originou-se de uma publicação que teve um milhão de exemplares distribuídos gratuitamente e foi posteriormente ampliado e revisto pela professora Ângela Maggio da Fonseca, também do HCFMUSP, e pelo jornalista Simon Widman.

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30/06/2009 23:23


PRESIDÊNCIA DO SENADO

POR UM FIO



Você já leu A Cabana? Já viu Ninguém sabe o duro que dei? Já comeu tempurá em São Paulo, acarajé em Salvador, sarapatel em Caruaru? Então vá! Aproveite tudo o que a vida oferece, até churrasco de grego, porque o Senado, depois de aprovar a CPI da Petrobrás, anda pedindo a cabeça de seu presidente, José Sarney.
Isso significa uma prorrogação da discussão sobre o pré-sal, incluindo a análise profunda do marco regulatório, seja lá o que for isso. Mas teremos uma investigação séria, sem preocupação com as eleições, sobre irregularidades praticadas pelo presidente do Senado. Tudo numa postura educada, tipo Vossa Excelência prá lá, Vossa Excelência prá cá.
Como bola da vez, o ex-presidente da República José Sarney é acusado de nepotismo e todo santo dia sai nova denúncia de uso indevido do cargo. Seus pares pedem que se afaste, mas ele resiste. Tem esperança de reverter a situação.
Coloquei à prova minha modesta inteligência de matuto do agreste pernambucano e me dispus a ouvir a sessão do Senado. Deu no que deu, quase pirei.
Fui obrigado a me preocupar com a dieta, por causa da hipertensão. Os senadores ficam horas discutindo a corrupção intramuros.
Além do caso Sarney há o combate à pedofilia, as intermináveis visitas de representantes de determinados grupos, e no momento discute-se projeto que regulamenta a profissão de mototaxista.
Há algum tempo prometi a mim mesmo, solenemente, que deixaria de abordar temas políticos em minhas eventuais lamúrias. Ocorre que eles são inesgotáveis. Prestam-se à ocupação das folhas em branco com a maior benevolência.
Ainda bem que não preciso me envergonhar de meus conterrâneos. Apesar de pertencerem a partidos diversos, pelo menos até agora estão imunes às graves acusações de nepotismo, uso indevido de dinheiro público, etc. Refiro-me aos senadores Jarbas Vasconcelos, Cristovam Buarque, Sérgio Guerra e Marco Maciel.
Na Câmara, faz falta a veemência de Fernando Lyra, que deixou a vida pública por motivos de saúde, e de Roberto Freire, que não foi reeleito e hoje é presidente do PPS.
Teme-se que a saída de Sarney não mude substancialmente a cara do Senado. Mas do conjunto de medidas em estudo sairão novos caminhos, independente da provável queda do representante do Amapá, ainda uma hipótese.


INCOMPREENSSÕES


Acompanhei um amigo numa triagem para operar catarata no Hospital das Clínicas de São Paulo. Não há mais aqueles mutirões que reuniam até 5 mil idosos, dos quais 10% eram selecionados para cirurgia. O Governo cortou as verbas específicas para esse tipo de combate à cegueira. Mas as cirurgias de catarata não pararam. Cada hospital tem sua quota-limite.
Impressiona o trabalho da equipe de oftalmologia, das 7 ás 19 horas. O atendimento é feito por médicos residentes do primeiro, segundo e terceiro ano, sob a supervisão de professores.
Claro, nem todo mundo sai satisfeito. Um cidadão que havia se apresentado para consulta logo cedo, 7 horas, pergunta no meio da tarde se já havia sido chamado. A atendente quer saber onde ele estava, pois não respondeu quando procurado, e ele confessa que foi à rua 25 de março comprar lã, que utiliza na produção de blusas e demais peças de vestuário.
Inconformado com a falta de resposta, disparou: mas você não está aqui prá isso, pra nos atender?

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