PRIVILÉGIOS PAULISTANOS
Flávio Tiné


Total de visitantes: 109238




02/02/2010 09:05


GUERNICA PAULISTANA


Há mais de 30 dias São Paulo sofre com terríveis inundações, destruindo móveis, imóveis, eletrodomésticos e desabrigando famílias inteiras da periferia. Cenas lamentáveis se repetem, para deleite de apresentadores de televisão preocupados com audiência. Enfrentando grandes dificuldades, migrantes de várias partes do país se instalam à beira de córregos ou na encosta de morros, onde o acesso é difícil até para a fiscalização.
Impermeabilizada por sucessivos asfaltamentos e canalização de riachos em direção ao rio Tietê, São Paulo não oferece a menor condição para escoamento das águas. E haja inundações!
A maneira mais fácil de criticar a situação é responsabilizar as autoridades, sem discutir se são elas que autorizam as construções ou é a população que constrói em qualquer lugar.
Sucessivos debates discutem a questão, sem chegar a uma conclusão sobre o que fazer.
Daqui a poucos dias as chuvam cessarão. E o problema só voltará à discussão nas próximas inundações, em dezembro próximo.
Meus parcos conhecimentos de Direito não permitem acusar ninguém - prefeito, governador, presidente da República. Tampouco os invasores de terrenos à beira dos córregos ou na encosta dos morros.
Não temos escravidão. Não temos imperialismo ianque. Não temos Doi-Codi. Não temos espionagem nas favelas - só nas grandes empresas estatais. Temos a ira dos céus todo fim de tarde. A chuva cai sofre os prédios, mas não os atinge. Todos tem para-raios. As palafitas desabam, menos na Amazônia, onde elas são construídas com a experiência dos moradores, acima do nível das águas das enchentes.
A vida das pessoas atingidas entra em choque, enquanto os eletrodomésticos entram em curto. Não há mais síndrome, mas o próprio pânico se instala nas pessoas, que vão para abrigos ou casas de amigos e vizinhos.
Somos obrigados a concordar com os dramáticos apresentadores de televisão, que berram os horrores das inundações, tão indescritíveis como os horrores do Haiti ou da Somália.
São Paulo precisa de um quadro que mostrasse as diversas faces de sua tragédia, uma espécie de "Guernica" paulistana. Famoso pelo quadro "Meninos do Recife", que mostra figuras esquálidas, Abelardo da Hora poderia fazer um quadro ou uma escultura focalizando as vítimas das enchentes. O primeiro rendeu-lhe sucessivas prisões. O segundo poderia consagrá-lo ainda mais (vide exposições de esculturas no vão do Masp, avenida Paulista).
São Paulo precisa de dez Datenas, não para clamar inutilmente contra "autoridades competentes", mas para ajudar a formar esse suposto quadro.

VOLTA ÀS AULAS

Enquanto as cidades do ABCD viviam seu drama, a volta às aulas na cidade de São Paulo foi tranquila, ontem, 1 de fevereiro. A meninada compareceu em massa, sem maiores dramas. Todos contavam, alegres, aonde passaram suas férias e nem citavam os dissabores das enchentes. Os paulistanos sobrevivem, lado a lado com as tragédias. Cada dia, nova esperança.
A caminho da escola, uma de minhas netas pergunta: de que mesmo o rádio tá falando, vô? Inundações?
Daí a pergunta: onde estão as escolas que não preparam as crianças para as próximas catástrofes? Claro, estão ensinando boa conduta, jogar lixo no lixo, se beber não dirija, ame o próximo como a ti mesmo, etc. Parece pouco.
A propósito, lembro-me da campanha do Instituto Zero a Seis, que acredita na formação da criança de zero a seis anos. Formar o caráter, o espírito de luta, a busca de soluções. É o que nos resta!


Flávio Tiné | Comente ou mande e-mail para tine@estadao.com.br (0)



26/01/2010 11:37


40 ANOS DA TV GAZETA


À meia-noite de ontem, quando se encerravam as festas dos 456 anos de São Paulo, explodiam fogos de artifício nas torres da TV Gazeta para comemorar de forma pirotécnica os 40 anos da emissora. Ronnie Von e seus convidados, entre os quais Max Castro e Simoninha, saudavam efusivamente o evento, dos estúdios do programa "Todo Seu".
Momentos antes, a Imprensa Oficial lançara o livro "Avenida Paulista, 900 - A História da TV Gazeta", de Elmo Frankfort, com a presença dos principais artistas, apresentadores e jornalistas da emissora. O livro faz parte da Coleção Aplauso, saudada na apresentação do livro por José Serra, governador do Estado de São Paulo, para quem ela cumpre função social, "pois garante a preservação de parte de uma memória artística genuinamente brasileira e constitui mais que justa homenagem àqueles que merecem ser aplaudidos de pé".
Para Hubert Alquéres, presidente da Imesp, a coleção permite reconstituir a trajetória de artistas de teatro, cinema e televisão de São Paulo. Além de reunir o mais rico acervo de informações sobre a TV Gazeta, o livro relembra a história dos jornais A Gazeta (no qual tive a honra de trabalhar como colunista de TV sob o pseudônimo de Zé Flávio), A Gazeta Esportiva e Rádio Gazeta, que durante alguns anos foi a opção "cult" da cidade.
Foi na TV Gazeta que se iniciaram várias personalidades que hoje desfrutam de grande prestígio nos meios de comunicação, como Galvão Bueno, Sérgio Groisman, Joelmir Beting, Amaury Jr., Faustão, Marcelo Tas, Paulo Markun e Sandra Annemberg, e mais "uma fila imensa de talentos", conforme lembra Elmo Frankfort.
Além de rico em detalhes, o livro é rico em ilustrações, exibindo fotos dos principais apresentadores, de alguns programas e de todos os seus logotipos. Constitui, pois, importante material de consulta, especialmente para quem deseja estudar a história das comunicações no Brasil.
Um dos aspectos que chama a atenção no caso da TV Gazeta é a despreocupação com os índices de audiência. Para a emissora, o mais importante são os valores éticos, ensinados a partir da escola de jornalismo mantida pela Fundação Cásper Líbero no mesmo prédio da avenida Paulista. A escola, fundada antes da ECA-Escola de Comunicações e Artes da USP, foi o primeiro celeiro de grandes profissionais.
O Jornal da Gazeta, apresentado entre 19 e 20 horas por Maria Lydia, é uma atração valorizada pelas opiniões abalizadas de Mário Almeida, José Paulo Kupfer e Celso Sabadin, entre outros. Sua principal característica é a serenidade e firmeza com que aborda os mais variados assuntos, sem atropelar o tempo com o visível desespero dos concorrentes. Desde os tempos da Rádio Gazeta Maria Lydia conquista seus ouvintes ou telespectadores com um raciocínio límpido, como um escritor que constrói seus enredos de forma a prender o leitor até as últimas linhas.
Daí a questão: por que preocupar-se com Ibope? Em qualquer parte do Brasil, onde estiver o Jornal da Gazeta, haverá um telespectador curioso e atento. Quase o mesmo vale para o caso de "Todo Seu". Ronnie Von não lembra nem de longe o "Pequeno Príncipe" de "Meu Bem", exceto nos elogios a grupos ou cantores de gosto duvidoso. É um apresentador tranquilo, que vende seu peixe com a sabedoria de um mercador de cultura.
Assim, a programação da TV Gazeta é uma boa opção nos dias em que a concorrência extravasa no mau gosto para conquistar pontos de audiência.
Se não é a melhor, certamente não estará entre as que merecem invariavelmente o uso do controle remoto, exceto quando a tela é invadida por aqueles bandos de fanáticos que alugam o horário em nome da fé.
O forte temporal que desabou sobre a cidade durante a tarde e a noite de ontem certamente dificultou a ida de personalidades ao lançamento do livro, obrigando o repórter a malabarismos verbais e a entrevistar Agnaldo Timóteo como uma das personalidades presentes. Nada contra o grande cantor mineiro e vereador paulistano, mas até o ex-governador Geraldo Alckmin, famoso pelo fraseado insosso como chuchu, falaria algo mais consistente.

Flávio Tiné | Comente ou mande e-mail para tine@estadao.com.br (2)



15/01/2010 23:01


ABELARDO DA HORA NO MASP



Até o dia 14 de fevereiro estará aberta ao público uma exposição do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, no vão do MASP, avenida Paulista, também chamada de a mais paulista das avenidas.
A exposição denomina-se “Amor e Solidariedade” e resume os 60 anos de atividades de uma figura singular, ainda atuante aos 85 anos.
Os trabalhos de Abelardo estão em várias partes do mundo, mas no Recife qualquer pessoa pode apreciá-los nas ruas e praças. Nas livrarias de todo o país pode-se adquirir um rico volume com boa parte de seu grande trabalho.
Com tão rica e extensa obra, a história de Abelardo da Hora tem também seus lances dramáticos, já que, apesar de conviver com a alta sociedade pernambucana, graças à amizade com os Brennand, sempre foi fiel à luta em favor dos mais necessitados, tendo inclusive pertencido ao Partido Comunista Brasileiro.
Em 1964 foi dos primeiros a ser preso, quando um de seus trabalhos, denominado “Meninos do Recife”, foi também apreendido como subversivo. Os meninos, naturalmente, eram magérrimos e famintos.
Não suportando a perseguição em Recife, mudou-se para São Paulo em 1967, quando contou com o apoio de Lina Bo Bardi. Tive a oportunidade de conviver com o grande mestre em meu apartamento da rua Frei Caneca, onde ele ficou cerca de um mês, até alugar casa na Vila Madalena e trazer a família. Um ano depois retornou para Pernambuco, onde não há um só artista plástico que não tenha sido seu aluno ou pelo menos grande amigo. Abelardo é irmão do cantor Germano da Hora, um dos mais importantes representantes do Carnaval, e de Bianor da Hora, médico.
A exposição itinerante de Abelardo da Hora já esteve em Brasília e seguirá depois para João Pessoa, Recife, Caracas, Paris (Museu George Pompidou) e Bruxelas. Mais informações no site www.iah.org.br (Instituto Abelardo da Hora). Em São Paulo, detalhes podem ser obtidos através da Timbro, tel. (11) 3253.4542.


FROM PE
E já que o assunto é Pernambuco, que acham dessa belezinha aí da foto, que atende pelo nome de Susana de Queiroz Galvão. Saiu na coluna social Dia a Dia, do Jornal do Comercio. E a Globo ainda viu, suponho.

BRUNO MANGUEIRA LANÇA CD

O violonista Bruno Mangueira apresenta-se dia 29, às 19 horas, no Sesc Avenida Paulista, em show de lançamento de seu primeiro CD. Além de violonista, Bruno é guitarrista, compositor e arranjador. Já se apresentou com grandes nomes como Gilson Peranzzetta, Nelson Ayres, Alaíde Costa, Jamelão, Filó Machado, Mauro Senise, Vinicius Dorin e Sizão Machado. Participam do Cd, entre outros, Proveta, Lea Freire e Toninho Ferrgutti. A apresentação de Bruno Mangueira faz parte do programa Instrumental Sesc Brasil e é gratuita. Basta chegar uma hora antes para solicitar o ingresso.

Flávio Tiné | Comente ou mande e-mail para tine@estadao.com.br (0)

Página 1 de 1